23/08/2004 01:24
É difícil saber quem merece minha maior homenagem: a Lua ou a Clara Nunes! Acabei de voltar da peça dela no Teatro Ziembinsky e tenho que acordar amanhã às 6 hs da manhã, mas eu só ia conseguir dormir depois de vir aqui contar a emoção que eu senti.
Como toda boa macaca de auditório, eu devo ter chorado uns 5 litros durante a apresentação. Pena que hoje foi o último dia, mas parece que vai ter nova apresentação da peça no Barra Garden, no Garden Hall, e eu estarei lá com certeza, chorando de novo na primeira fila!
Ontem vi Olga, hoje vi a Clara Nunes, duas mulheres guerreiras que procuraram a paz cada qual ao seu modo: uma pela violência, a outra pela música.
E é impressionante como eu me identifico com ela. Quanto mais eu a conheço, mais encontro afinidades entre nós duas!
Clara por ela mesma:
1973
"Ainda estou na metade do meu caminho, mas sei que vou até o fim".
1975
"Eu acho que o que há de verdadeiro, o que há de mais puro, o que há de mais sincero e mais espontâneo, que é a força realmente, é o povo. Então, não adianta você querer ir de encontro ao povo, você tem que trazer o povo até você. Então para mim, Clara Nunes, o povo é tudo.
Eu hoje sou uma pessoa muito diferente, muito mais consciente e mais feliz."
1979
"Contribuo com a religião gravando-a em minhas músicas, isso ajuda a parte espiritual. Uso branco por que gosto e os colares são minhas guias."
1978
"Só mudaram o nome das chaminés (quando da ida à Belo Horizonte e trabalhando na Fábrica Renascença."
1981
"Hoje a participação do artista dentro da problemática da sociedade é fundamental. O artista tem uma ligação muito maior com o público e é preciso que esta consciência seja despertada; A partir deste pensamento foi fundado o Comitê da Paz na América Latina sediado no Teatro Clara Nunes."
1982
"Eu tenho a grande missão de cantar, eu acho que todas as pessoas tem uma missão, a gente está aqui nesse mundo, ninguém está passeando ou passando férias, está todo mundo aqui cumprindo um compromisso já assumido em outras vidas, eu entendo assim."
Clara Nunes
Guerreira
Composição: Desconhecido
Se vocês querem saber quem eu sou
Eu sou a tal mineira
Filha de Angola, de Ketu e Nagô
Não sou de brincadeira
Canto pelos sete cantos
Não temo quebrantos
Porque eu sou guerreira
Dentro do samba eu nasci,
Me criei, me converti
E ninguém vai tombar a minha bandeira
Bole com samba que eu caio e balanço o balaio no som dos tantãs
Rebolo, que deito e que rolo,
Me embalo e me embolo nos balangandãs
Bambeia de lá que eu bambeio nesse bamboleio
Que eu sou bam-bam-bam
E o samba não tem cambalacho,
Vai de cima embaixo pra quem é seu fã
Eu sambo pela noite inteira,
Até amanhã de manhã
Sou a mineira guerreira,
Filha de Ogum com Iansã
Salve o Nosso Senhor Jesus Cristo, Epa Babá, Oxalá!
Salve São Jorge Guerreiro, Ogum, Ogunhê, meu Pai!
Salve Santa Bárbara, Eparrei, minha mãe Iansã!
Salve São Pedro, Kaô cabecilê, Xangô!
Salve São Sebastião, Oki arô, Oxóssi!
Salve Nossa Senhora da Conceição, atô ki apá, Yemanjá!
Salve Nossa Senhora da Glória, oraieiê, Oxum!
Salve Nossa Senhora de Santana, Nanã Burukê, Saluba, agogó!
Salve São Lázaro, atotô, Obaluaiê!
Salve São Bartolomeu, arruboboi, Oxumaré!
Salve o povo da rua, salve as crianças, salve os preto véio;
Pai Antônio, Pai Joaquim de Angola, saravá!
E salve o rei Nagô!
    
enviada por Maria das Pratas
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